AT-AT’s e os elefantes de Aníbal

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Imagine duas situações. A primeira: você é um cidadão romano e está tranquilamente em seu casebre em um dia de verão quando, de repente aparece um mensageiro desesperado batendo à sua porta para informar que Aníbal, um dos maiores inimigos de Roma, se aproxima com um exército de guerreiros montados em enormes elefantes de batalha e que estão prestes a cruzar os portões de Roma. Segunda situação: você é um rebelde em uma galáxia muito, muito distante e está tranquilamente no planeta gelado de Hoth quando, de repente observa pelo binóculo dezenas de AT-AT’s vindos em sua direção. Eu sei que há uma diferença gritante entre os AT-AT’s e os elefantes de Aníbal, porém impressionar o inimigo sempre foi uma estratégia fundamental no campo de batalha. Imagine ser apresentado por máquinas de combate ou animais gigantes e não ter a menor noção do que fazer? Tudo bem que máquinas longas como os AT-AT’s podem ter suas pernas neutralizadas e que elefantes se assustam facilmente ao ver uma multidão, mas o impacto psicológico que você levaria nessas duas situações seria praticamente o mesmo. Pergunte ao rei Théoden de Rohan, como foi que na batalha de Gondor em O Senhor dos Aneis – O Retorno do Rei, de J. R. R. Tolkien, teve de enfrentar com seus cavaleiros os enormes mûmakil, popularmente conhecidos como olifantes.

Aliás os AT-AT’s são mais semelhantes com os mûmakil do que qualquer outro elefante por aí, até mesmo os de Aníbal. Os mûmakil são aqueles mamutes com uma altura de 15 a 20 metros, com três andares ocupados por uma média de 10 a 15 arqueiros, uma manada faz o chão tremer e suas 30 toneladas esmagam os cavaleiros e qualquer outra coisa pelo caminho como se fossem baratas. Você provavelmente não gostaria de ser esmagado por uma manada de olifantes, muito menos ser alvo de um arqueiro habilidoso montado em cima de um deles. Por outro lado, os AT-AT’s são veículos mecânicos de combate fabricados pelos estaleiros Kuat Drive, a serviço do Império, eles têm 15 metros e meio de altura, quatro canhões a laser, sendo dois nas laterais e dois na “cabeça”, são capazes de levar até 40 Stormtroopers e em seu interior transportam speed bikes e andadores AT-ST’s. Em O Império Contra-Ataca o comandante Veers recebe ordens de Vader para tomar a base Echo e, da cabine de um AT-AT ele faz um ataque fulminante contra os rebeldes. Armas de até médio porte não fazem nenhum efeito contra essas máquinas, até mesmo uma “bazuca” usada por Baze Malbus, em Rogue One, não teve o resultado esperado em uma versão AT-ACT, porém suas pernas longas podem fazê-lo desequilibrar, sendo praticamente seu único ponto fraco, o Homem-Aranha que o diga.

No entanto, mesmo tendo suas pernas entrelaçadas pelos cabos de aço, a baixa que os rebeldes tiveram foi considerável, até mesmo Luke quase morreu pisoteado por um deles ao tentar sair de seu snowspeeder atingido. O fato é que a História nos mostrou que nem mesmo utilizando elefantes, Aníbal jamais conseguiu tomar Roma, apesar de ele ter conquistado algumas vitórias e de ter cruzado os Alpes com eles, e Tolkien deve ter ficado impressionado nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial na qual lutou, para ter inspiração para criar os “mamutes” mûmakil. Na ficção todos nós sabemos que tanto os olifantes em O Senhor dos Aneis quanto os AT-AT’s em Star Wars, não tiveram sucesso ao fim da guerra, apesar deles terem ganhado algumas batalhas, o Império, por exemplo, jamais conseguiu subjugar totalmente a rebelião. Isso prova que impressionar o inimigo nem sempre irá fazê-lo perder a coragem, talvez lhe dê mais forças para lutar. O que aprendemos disso tudo é que não importa o poderio de seu inimigo ou os problemas da vida, se puder vencê-los utilizando a paixão necessária para garantir a liberdade, a união entre os povos e, principalmente, a paz, então não tenha medo, enfrente-os com determinação e você encontrará um rumo para a vitória e nem mesmo elefantes ou AT-AT’s se intrometerão em seu caminho.

Frase de Star Wars que não está em Star Wars:

“As vitórias são conquistadas assim.” Por Jyn Erso

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Sobre o autor

Marcelo Mesquita é membro do Conselho Jedi do Rio de Janeiro e apaixonado por Star Wars.

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