Han Solo: Uma história Star Wars [Crítica COM SPOILERS]

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Por Rafael Hime Masset – Conselho Jedi do Rio de Janeiro

Pode encomendar o champagne: Solo não é um filme ruim. Pelo contrário, é um filme muito bom, recheado de nostalgia e que encantará tanto aos fãs devotos de Star Wars, quanto àqueles que estejam conhecendo nosso contrabandista com coração de ouro favorito pela primeira vez.

Para não dizer que não avisei, lá vem Spoiler, provavelmente do filme todo! CONTINUE APENAS SE QUISER!

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No começo do filme, há um estranhamento, já que ele não é o Harrison Ford, mas dez minutos depois, você se acostuma com Alden Ehrenreich e fica tudo ótimo. Alden replica as posses clássicas de Han Solo com perfeição e as piadas são excelentes. O ator é bom o suficiente para te convencer a acreditar na confiança “never tell me the odds” do personagem.

E quando o Lando Calrissian (Donald Glover) aparece, não tem como não ir à loucura, a malandragem, o charme e sedução do personagem estão estampados na sua cara. Lando possui uma coleção de capas, uma mais maneira que a outra – até eu quero o seu guarda roupas, só falta o estilo.

Os personagens novos são ótimos. Rio (dublado por Jon Favreau) é bem divertido e, incrivelmente, para um “canalha”, fofo. Val (Tandie Newton)  é mais uma personagem feminina forte mas pouco aproveitada, que gera pouca empatia Tobias Beckett (Woody Harrelson) é o clássico mercenário, e em alguns momentos lembra Haymich Abernathy – seu personagem na saga Hunger Games.

L3-37 (Phoebe Waller-Bridge) – cujo nome é uma referência a LEET, neolinguagem bastante usada na internet -, é um robô com voz feminina, que tem seus momentos, lutando por direitos iguais para os robôs e reclamando bastante – lembra até aquela tia chata nos almoços de domingo.

Dryden Vos, o vilão, lembra bastante Thrawn (personagem criado por Timothy Zhan, canonizado em Star Wars Rebels e no livro Thrawn): Sabe lidar com os problemas, é soberano e possui uma coleção de troféus – teria ele conquistado aquilo tudo? -, como o que parece ser um filhote de Fathier numa vitrine, algo semelhante a um holocron Sith e uma armadura mandaloriana – quem achava que poderiam aparecer mandalorianos no filme, pode começar a ficar triste.

O clima e os passageiros de sua nave lembram bastante Canto Bight, mas não tão chique. Ainda no campo de Easter Eggs, Yar Togna (membro da equipe de Saw Guerrera em Rogue One) aparece no filme, e depois de 40 anos Warwick Davis finalmente coloca sua cara e tem sua primeira frase em inglês num filme de Star Wars.

Chewbacca, interpretado por Joonas Suotamo (o mesmo por trás do Wookie em The Last Jedi e algumas cenas de The Force Awakens), traz alívio cômico no momento adequado, e sua relação com Solo é bastante explorada ao longo do filme – em que descobrimos que Han não só entende Shyriiwook (“chewbaquês”), como fala um pouquinho.

Qi’ra, interpretada por Emilia Clarke não convence ninguém de que é boazinha. O que não significa que não seja interessante tentar adivinhar quando ou como ela vai finalmente mostrar a que veio.

Enfys Nest, o personagem mais misterioso de todo o filme, merece ser assistido.

Dentre os momentos mais referidos da história de Han Solo – o personagem, e não o filme – a Kessel Run e o jogo de Sabaac são elementos essenciais do filme. Eu particularmente esperava mais da Kessel Run, não no sentido de que não foi bom, é uma das melhores partes do filme (se não a melhor), mas todo mundo sabe que Han a fez em 12 parsecs, e durante o percurso, isso não fica claro, só depois quando ele se gaba de ter batido o recorde (que era 20 parsecs).

Nesse filme descobrimos que Han nem sempre foi Solo, e a forma em que isso nos é apresentado foi, para mim, a pior parte do filme. Inserir piadas de fã nos filmes não é necessariamente um ponto positivo. Depois de The Force Awakens, os fãs brincavam que o Luke jogaria fora o sabre ao pegar da mão de Rey. Algo similar ocorre em relação ao nome de Han, interrompendo a suspensão da descrença.

Talvez uma crítica – no sentido negativo da expressão – que mereça ser feita, é que basicamente todos os elementos que constituem aquilo que nós conhecemos como “Han Solo” surgem em um espaço de tempo muito curto, desde o blaster DL-44 à amizade com Chewie e como ele ganhou a Falcon de Lando.

Aos amantes de trilha sonora: o trabalho produzido por John Powell é Star Wars puro. Mixagens com os temas clássicos em maior velocidade, com mais entonação, trazem a ação para o filme no melhor estilo Star Wars possível, mesmo afastando-se da lógica erudita de John Williams. E isso é perfeito para destacar as origens de Solo.

O filme possui referências a frases e momentos clássicos dos filmes da trilogia original, como “I love you, I know”, “piece of junk” e “I have a bad feeling about this”, de formas inusitadas.

Todos os elementos considerados, Solo: A Star Wars Story é um excelente filme de Star Wars e deve agradar até mesmo o fã mais exigente.

Nota 8/10 – Podendo ser alterada quando assistir pela segunda vez.

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