Mestre Windu e sua técnica Vaapad

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Há milhares de anos, desde que nossos ancestrais se multiplicaram e adquiriram conhecimento a ponto de explorar suas inúmeras formas de se defender de predadores e de atacar uma presa, a partir daí, consequentemente a disputa por comida e pela sobrevivência aumentaram. Para povos sem tecnologia, aqueles que aprendiam as melhores técnicas de luta eram os que conseguiam sobreviver. Muito antes da Idade do Bronze, antes mesmo da fabricação das primeiras armas de ferro, como as espadas, o homem primitivo tinha que usar os punhos para a defesa e o ataque. Com o passar dos anos a técnica de luta usando apenas as mãos ganhou força, principalmente no Oriente, em que foi atravessando gerações até evoluir para diversas vertentes das artes marciais, como por exemplo, o Karatê, passando pelo Kung Fu até chegar ao Jiu Jitsu entre outras. O Ocidente também não ficou de fora, com o Império Romano fazendo a luta greco-romana evoluir até chegar a ser um esporte olímpico, já que a tecnologia bélica na época dos romanos o privaram de tentar melhorar suas lutas corpo a corpo sem a utilização de armas de guerra. Com muito treinamento nas habilidades dessas artes, voltando ao Oriente, formaram-se inúmeros guerreiros capazes de defender seus territórios e proteger o Imperador usando o máximo de conhecimento dessas lutas. Com o advento das espadas, esses guerreiros, conhecidos agora como samurai, puderam desenvolver habilidades incríveis utilizando as melhores espadas já forjadas. No Japão feudal, alguns samurais usavam uma técnica de luta com espada conhecida como Kenjutsu ou Kendo, monges budistas também se aperfeiçoavam nessa prática que consistia em não desperdiçar os golpes, sempre atacando e quebrando a postura do inimigo e, principalmente, atacar sem pensar na possibilidade de morrer. Espadas como a Shinai (de bambu), Bokuto (de madeira) e a Katana (espada longa japonesa extremamente mortal) eram utilizadas na prática do Kendo. Já imaginou se trocássemos essas espadas por sabres de luz?

Não estranhe, pois uma boa parte da cultura samurai japonesa está inserida na saga, se não fosse o diretor Akira Kurosawa, que de uma certa forma introduziu essa cultura em seus filmes, não teríamos Star Wars, provavelmente George Lucas teria feito um remake de Flash Gordon como ele queria. Só a nível de curiosidade: o capacete do Vader, sem a máscara, tem o formato idêntico ao de um capacete samurai, Jedi vem da palavra japonesa Jidaigeki e o ator Mifune Toshiro era, a princípio, o que Lucas queria para interpretar Obi-Wan muito antes de Alec Guinness ser cogitado, todas essas e muitas outras referências foram tiradas por Lucas de filmes do Kurosawa. Voltemos à saga que amamos, durante milhares de anos na galáxia muito distante, os guerreiros que hoje conhecemos por Jedi e Sith também tiveram que aprender diversas técnicas e passá-las adiante para seus aprendizes para conseguirem derrotar seus inimigos. As lendas nos contam que uma técnica utilizada com o sabre, chamada Juyo, não era considerada completa, logo foi quase esquecida. A técnica Juyo tem 6 formas diferentes de combate e foi praticada rigorosamente por mestre Mace Windu o tornando o Jedi mais habilidoso com o sabre de luz, acredite se quiser, ele é o único que ganharia até de mestre Yoda como espadachim. Mestre Windu ficou tão bom na técnica que desenvolveu a forma 7 apelidando-a de Vaapad que ele adquiriu treinando com uma criatura do planeta de Sarapin. A lenda diz que essa criatura tem vários tentáculos, se move com uma agilidade incrível e consegue golpear diversos inimigos em vários lugares ao mesmo tempo, imagine Windu treinando com essa criatura! É lógico que não se aprende o Vaapad da noite para o dia, a forma 7 desenvolvida por Windu requer muita concentração, um nível altíssimo de perícia e ser um verdadeiro mestre em todas as 6 outras formas. Mestre Windu passou alguns conhecimentos do Vaapad para sua padawan Depa Billaba fazendo com que eles fossem os únicos Jedi praticantes dessa arte. Mas o que o Vaapad tem de tão especial em ser raramente praticado? Seus requisitos técnicos são bem maiores em comparação aos outros estilos de luta, seus movimentos são audaciosos e são usados em combinação com técnicas avançadas que envolvem pulos e gestos propulsados pela Força. A prática exige uma intensa carga emocional e física o que resulta em um poder extraordinário se dominada corretamente. Isso faz com que o Vaapad se torne uma técnica extremamente perigosa, pois invoca o prazer de lutar no ataque, para o lado Sombrio é um prato cheio. Para se ter uma ideia, Depa Billaba enlouqueceu a ponto de cometer uma tentativa de suicídio em um conflito em Haruun Kal, em meio às Guerras Clônicas, quando percebeu, utilizando o Vaapad, que estava prestes a ceder para o lado Sombrio.

Mestre Windu aumentava sua concentração no lado Luminoso o bastante para não cair nessa tentação, sendo assim, o Vaapad não é só um estilo de combate, mas um estado de mente e poder que requer que o usuário desfrute a batalha mas com o controle estrito das emoções para não sucumbir ao lado Sombrio. Infelizmente com a morte de Mace Windu o Vaapad se foi com ele, assim como técnicas milenares como defender um ataque de espada com as mãos nuas ou se livrar de dezenas de espadachins usando apenas o gingado do corpo é algo que também morreu com os mestres samurais, mas nada impede que, com muito treinamento se possa adquirir novamente essas técnicas. A técnica Juyo, por exemplo, antes esquecida, foi amplamente usada por Darth Sidious que a ensinou a Darth Maul. General Grievous também foi um grande adepto dessa prática, isso mesmo, Grievous foi bem treinado nas artes Jedi, utilizando em seus quatro braços os sabres de luz dos Jedi que matou, não é à toa que ele se tornou habilidoso. Foi de se surpreender que mesmo mestre Windu e sua técnica Vaapad pudessem vacilar a ponto de perder a mão para Anakin, lógico que ele não esperava aquele ataque, pois se Windu desconfiasse que Anakin iria golpeá-lo, certamente agora Sidious estaria morto e Anakin seria levado como traidor para ser julgado no Conselho Jedi e a História seria bem diferente.

Frase de Star Wars que não está em Star Wars:

“Em guarda.” Por Mestre Mace Windu

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Sobre o autor

Marcelo Mesquita é membro do Conselho Jedi do Rio de Janeiro e apaixonado por Star Wars.

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