Star Wars: 4 décadas de muita paixão

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Que tal se pegássemos emprestado o DeLorean do Marty McFly e embarcássemos rumo a uma viagem no tempo, mais precisamente para o ano de 1977? Ao chegar descobrimos um mundo novo, sem a tecnologia de computadores e celulares como que conhecemos hoje, mas mesmo sem a adição de uma computação gráfica de qualidade considerável, diretores como Steven Spielberg, Francis Ford Coppola e um tal de George Lucas, por exemplo, já tinham visões mais dinâmicas para seus filmes e para os estúdios de Hollywood. Ligo o rádio e descubro que a Guerra do Vietnã já havia acabado, o presidente Jimmy Carter comanda a América e Elvis Presley morreu, ou não. No entanto, vou ficar aqui contemplando esta linda noite estrelada de 77. Mas eis que olho fixamente para o céu e observo uma lua pequena vindo em minha direção, mas espere, aquilo não é lua, é uma estação espacial conhecida como Estrela da Morte. É claro que a Estrela da Morte é só a ponta do iceberg de um universo rico de personagens e aventuras que no início da década de 70 já borbulhava na cabeça de um cineasta tímido vindo da cidade de Modesto na Califórnia. Esse cineasta cresceu lendo histórias e tendo forte influência da filosofia mitológica de Joseph Campbell, além de assistir seriados na TV como os de Flash Gordon sendo um de seus preferidos, e os filmes do diretor japonês Akira Kurosawa. Esse cineasta chamado George Lucas foi o responsável por criar uma das franquias mais rentáveis do cinema. Fez de Star Wars um ícone da cultura pop mundial. E lá se vão 40 anos, quem diria? Após dirigir THX 1138 e American Graffiti – Loucuras de Verão, Lucas achou que seria a hora certa para dar asas a sua imaginação espacial, uma aventura que seria a mais revolucionária da história. Ao desenvolver uma ópera espacial complexa chamada unicamente de Star Wars, Lucas começa a gravar tendo dificuldades incontáveis como atrasos no cronograma, problemas na produção, atores em diálogos confusos, equipamentos que não funcionavam direito e por aí vai. Nas filmagens no estúdio em Londres um dos técnicos chegou a perguntar aos atores “que filme era aquele, com tantas babaquices e coisas sem sentido?” Ah, se ele soubesse!

Realmente Lucas tinha tudo para chutar o balde e dar um fim em um filme que mal estava começando. A certa altura o ator Alec Guinness e o executivo da Fox, Alan Ladd Jr. eram os únicos que acreditavam que Star Wars seria sucesso. Nas palavras do próprio George Lucas: “realmente não esperava que Star Wars fosse esse sucesso gigante, mas tornou-se um fenômeno.” O fato é que Star Wars aconteceu, foi um sucesso estrondoso, provocou filas enormes nas pouquíssimas salas em que estreou e em pouco tempo já havia faturado mais de cem milhões de dólares, em valores atuais o filme ultrapassa a marca de um bilhão de dólares. Star Wars agradou milhares de centenas de pessoas de diversas idades em todo mundo. Personagens como Luke Skywalker, Obi-Wan Kenobi, Princesa Leia, Han Solo, Chewbacca, C-3PO, R2-D2 e Darth Vader encarnavam o herói solitário, o mestre sábio, a princesa indefesa, o caubói cafajeste, o parceiro para toda obra, os alívios cômicos e o vilão terrível respectivamente; misturados em uma ótima história, com uma aventura excepcional, batalhas espaciais espetaculares, luta de sabres clássica e uma trilha sonora tão arrebatadora que faz dela um personagem à parte, de todos esses elementos dignos de um conto de fadas clássico, não é de se surpreender que Star Wars tenha se tornado esse sucesso todo.

Com o título Episódio IV – Uma Nova Esperança abriu-se oportunidades para que Lucas criasse e desenvolvesse as sequências bem mais confortável que antes. Aos 20 aninhos Uma Nova Esperança recebeu uma remasterização e uma repaginada computadorizada, o que fez desagradar alguns fãs ortodoxos, principalmente na cena da cantina em que é mostrado Han Solo atirando depois de Greedo. Particularmente gosto de todas as mudanças, elas enriqueceram e muito o conteúdo de Star Wars como um todo e a franquia já começava a conquistar uma molecada nova que no final dos anos 90 ingressava na era da informática e da internet. Observando esse potencial, Lucas inicia novos projetos para Star Wars e em 1999 é lançado o Episódio I, o resto é mais do que história, é mito. A conclusão que tiramos é óbvia, depois de Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança jamais o cinema e a cultura pop foram os mesmos. Um leque de oportunidades foi aberto com o Universo Expandido incluindo os livros, quadrinhos, colecionáveis, camisas, diversas bugigangas e a influência do legado de Lucas em todo o mundo. Legado esse que agora pertence à Disney, a casa do Mickey é hoje a responsável por fazer de Star Wars o que ele já é. Com o lançamento de novos filmes (derivados e sequências), livros (canônicos e legends), séries animadas, novos quadrinhos, novos games, parques temáticos, convenções etc., só faz Star Wars se conectar e se expandir em um patamar jamais imaginado. Quem diria que uma ideia que só George Lucas entendia fosse crescer e se tornar nesse universo espacial que nos emociona até hoje? Vamos apagar juntos as 40 velinhas, mas antes tenho que voltar, vou pegar de volta o DeLorean e retornar para 2017, não quero perder o Episódio VIII – Os Últimos Jedi. Star Wars: 4 décadas de muita paixão, parabéns George Lucas, você provou que a determinação e a persistência são tudo quando se quer realizar os sonhos que se tem. Com todos os problemas que você teve antes e durante as filmagens, mesmo assim você conseguiu, e olha que Uma Nova Esperança é apenas 25% de tudo que você queria que o filme fosse, mas você conseguiu mesmo assim. Parabéns Star Wars e a todos os fãs que fizeram e fazem do legado de toda a franquia ecoar pela eternidade.

Frase de Star Wars que não está em Star Wars:

“Que a Força esteja com todos nós, sempre.” Por mim mesmo

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Sobre o autor

Marcelo Mesquita é membro do Conselho Jedi do Rio de Janeiro e apaixonado por Star Wars.

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