Star Wars 40 anos: a idealização, o nascimento e consolidação cultural

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Hoje, 25 de maio de 2017, comemoram-se os 40 anos de Star Wars. O que nasceu como uma ideia desacreditada de um jovem cineasta e enfrentou barreiras do business cinematográfico, se transformou em um dos maiores marcos culturais do mundo.

Leia abaixo essa história, desde os tempos de faculdade de Lucas até o lançamento de Uma Nova Esperança.

THX e o começo de tudo

Década de 70. A guerra do Vietnã ainda acontecia, os jovens do mundo se manifestavam contra os seus governos, John Lennon cantava pela paz e, sobretudo, a tecnologia ainda era um rascunho do que é hoje. Nesse contexto, o cinema de Hollywood necessitava de uma mudança em suas produções. Os executivos entendiam que a época era dos jovens e que eles haviam se tornado o público alvo. Para que filmes fossem direcionados aos mesmos, era necessária uma nova leva de diretores, que também fossem jovens. Das Universidades saíram nomes como Francis Ford Coppola, Martin Scorcese, Brian De Palma e Steven Spielberg. Um jovem estudante de cinema da Universidade do Sul da Califórnia chamava atenção pela sua imaginação, visão e gosto por histórias consideradas, na época, mirabolantes. Seu nome era George Lucas.

Já na Universidade, Lucas se destacou com um filme de 20 minutos, chamado deTHX 1138. Uma ficção científica que teve uma duração maior do que havia sido pedido pelos professores, que ficaram impressionados pelo fato de um aluno ultrapassar a barreira das restrições. Um homem chamado Irvin Kerschner, que na época lecionava na USC, observou o jovem Lucas em uma palestra e, após uma conversa, ficou impressionado pela visão única que o estudante possuía. O que ele não imaginava, é que os dois fariam um trabalho de muito sucesso alguns anos depois.

Após se formar em cinema, George Lucas se juntou a American Zoetrope, um estúdio independente de São Francisco, criado recentemente pelo seu amigo Coppola. Com recursos, decide realizar a versão cinematográfica de seu pequeno filme THX 1138. Entretanto, o projeto não agradou os executivos da Warner e comprometeu a Zoetrope, que teve que devolver o investimento de 300 milhões de dólares e declarou falência.

Sem emprego e com muitas idéias, Lucas decide abrir a própria empresa, a Lucasfilms Limited. Como primeiro projeto, foi escolhido American Graffiti, que remonta o comportamento jovem dos anos 60, baseado em algumas experiências próprias do cineasta. Produzido pela Universal, o filme foi realizado em 28 dias, com um baixo custo de 1 milhão de dólares. Mas a cabeça do jovem diretor estava em outro lugar, numa galáxia distante. Sua vontade era fazer um filme espacial, que tivesse envolvimento com as mais variadas mitologias, onde o herói, a donzela em perigo, o sábio e as criaturas formariam uma fantasia diferente do que se conhecia até então. O problema era conquistar os estúdios com essa idéia, já que as ficções científicas não lucravam muito e não era bem vistas.

Mesmo assim, com um roteiro de 14 páginas, Lucas foi de estúdio em estúdio, buscando alguém que investisse no seu projeto. Com as recusas de Universal e United Artists, o cineasta encontrou o sim definitivo de Allan Ladd Jr, executivo da 20th Century Fox, que apostou no talento de Lucas, já que não entendeu o que seria o filme.

A aposta foi certeira, já que American Graffiti foi lançado no ano de 1973 como sucesso de crítica e bilheteria. Com a confiança do estúdio, liberdade para criar e um bom filme no currículo, Lucas começou a criar o roteiro completo do seu projeto espacial. Na primeira página, escreveu o título em letras maiúsculas. STAR WARS havia começado.

A construção de uma saga

Após convencer a 20th Century Fox a apostar na ideia de Star Wars, George Lucas começou a escrever um roteiro definitivo para o filme. A batalha de uma aliança rebelde com um império galático e a ideia mitológica sobre um tal conceito de força eram os focos da história. Os personagens foram sendo desenvolvidos aos poucos e de forma muito diferente do que os fãs conhecem. Darth Vader estava formado desde o começo, mas Han Solo era um alienígena verde e com guelras, enquanto Luke, um general de 60 anos, tinha o sobrenome StarKiller. Estranho não?

E a história realmente era esquisita, a não ser para Lucas. Com o objetivo de conseguir verba da Fox, o diretor contratou o designer Ralph McQuarrie, que fez belas pinturas de como seriam os personagens e os cenários. Os executivos da Fox ficaram encantados com a ideia, mesmo que desconfiados, e investiram cerca de 8 milhões para a produção. Como era cauteloso com os grandes estúdios, Lucas pediu como condição de contrato o direto sobre as continuações e o controle de uma boa parte do merchandising, o que lhe daria tranqüilidade para ajudar a vender o filme e certa independência do estúdio.

Para realizar os espetaculares efeitos especiais descritos pelo roteiro, Lucas fundou em 1975 a Industrial Light & Magic, já que os departamentos de efeitos dos estúdios eram precários ou haviam sido fechados. A empresa reuniu especialistas que teriam a missão de criar sequências o mundo ainda não havia visto. “Parecíamos uma fraternidade estranha, uns doidos robóticos fazendo fotografia”, disse Richard Edlund para o documentário Star Wars: Império dos Sonhos. Enquanto a ILM preparava os efeitos, o departamento de arte criava modelos de espaçonaves e miniaturas, com base nos desenhos de McQuarrie, Joe Johnston e Lucas, e o elenco começava a ser formado.

Para o papel de Luke Starkiller, um jovem ator chamado Mark Hammil, conhecido por alguns trabalhos na televisão; Harrison Ford, que participou dos testes apenas para auxiliar os atores novatos, conquistou Lucas e ganhou o papel de Han Solo; a bela Carrie Fisher, filha de Debbie Reynolds e Eddie Fisher, foi selecionada para viver a determinada Princesa Léia, com a condição de perder 10 quilos. Em Londres, onde as sequencias de estúdio seriam realizadas, os atores David Prowse (Darth Vader), Peter Cushing (Tarkin), Peter Mayhew (Chewbacca), Kenny Baker (R2-D2) e Anthony Daniels (C3PO) foram selecionados. O único nome de peso do elenco era o de sir Alec Guiness, vencedor do Oscar pelo filme A Ponte do Rio Kwai.

O grande número de atores desconhecidos deixou os executivos da Fox preocupados com o futuro do filme. Mesmo assim, deram crédito ao jovem diretor. Com a pré-produção encaminhada, Star Wars começou a ser filmado.

Há muito tempo, em uma galáxia muito, muito distante…

Depois da seleção dos atores, o que viria pela frente seria puro desastre para Star Wars. A produção começou a ser feita na Tunísia, onde o calor e as condições eram extremamente exaustivas para toda a equipe. Com apenas um dia de filmagem, uma grande quantidade de chuva quase comprometeu todo o filme. Além disso, R2-D2 não funcionava como devia, Anthony Daniels se feriu gravemente com o traje de C3P0 e quase toda a equipe não compreendia Star Wars, achando-o um filme infantil e sem lógica. Os executivos da Fox também não estavam satisfeitos com os rumos do filme e, em todas as reuniões de diretoria, Allan Ladd Jr tentava persuadi-los, buscando impedir o cancelamento da produção.

Com duas semanas de atraso, Lucas foi obrigado a criar três unidades de direção, para que o filme fosse concluído, já que o lançamento estava previsto para o natal de 76 e ainda faltavam inúmeras cenas, além da pós-produção. Quando assistiu a primeira montagem de Star Wars, o diretor teve um choque: o material era terrível! Sem saber o que fazer, e com prazos a cumprir, Lucas contratou os experientes Paul Hirsch e Richard Crew para remontar todo o filme, dando a energia e o ritmo necessários. Além dos problemas na edição, a ILM não havia conseguido criar nenhuma tomada aproveitável. Eram tantos os problemas, que o diretor chegou a ser internado, com dores no peito e diagnóstico de hipertensão e stress.

Aos poucos, e com esforços redobrados, Star Wars encontrou a Força e achou o seu caminho, mas ainda faltavam detalhes preciosos. Ben Burtt, o editor de som do filme, coletou durante um ano inteiro ruídos e sons distintos que reforçassem o “que nunca havia sido visto no cinema”. Para Chewbacca, rugidos de leões, ursos e vários animais foram misturados; o bipe de R2-D2 foi o resultado da fusão da própria voz de Ben com ruídos e o sintetizador; a temível respiração de Darth Vader nada mais é que o barulho da válvula reguladora de um tanque de mergulho. Ainda, o vilão recebeu a voz forte e sombria do ator James Earl Jones.

Com o filme inacabado, Lucas fez duas pré-estréias fechadas. Na primeira, mostrou o filme para amigos como Brian de Palma e Steven Spielberg, que foi o único a gostar do que tinha visto. Na outra, o diretor conseguiu pela primeira vez agradar os executivos, que ficaram maravilhados com o filme. Um deles, Gareth Wigan, falou para os seus familiares que “O dia mais incrível da minha vida acaba de acontecer”.

Faltava ainda a trilha sonora, que ficou a cargo do genial John Williams, na época marcado pelo trabalho em Tubarão e na série Perdidos no Espaço. Com a Orquestra Sinfônica de Londres, o compositor gravou a ópera de Star Wars em apenas 12 dias, com um resultado que emocionou George Lucas.

Um dia antes do lançamento, a equipe se reuniu temerosa pelo resultado. Apenas 40 salas se dispuseram a exibir Star Wars. Mesmo assim, no dia 25 de maio de 1977, a saga teve o seu início. O que aconteceu foi surpreendente para todos. “Havia uma reação estranha e elétrica no ar”, disse Carrie Fisher. O público parecia estar em choque e muitos foram as lagrimas com a interminável passagem do Destróier Imperial Branco.

Star Wars bateu 37 recordes de bilheteria, dobrou as ações da Fox e tornou-se um mito. A sua história, que seria terminada em mais cinco filmes, foi acompanhada como um ritual para os fãs. Seu universo foi expandido em gibis e graphic novels e séries de TV. E a força se tornou uma espécie de código e religião. Tudo foi criado graças a visão e persistência de um homem.

Que a força esteja com você, George Lucas!

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